Introdução | EMAT em Inspeções sobre Revestimento Epóxi
Solução EMAT: A inspeção de integridade em tubulações industriais é uma atividade crítica dentro de programas de inspeção e confiabilidade, pois permite identificar e monitorar perda de espessura por corrosão, pitting localizado e desgaste por erosão, mecanismos diretamente relacionados à redução da capacidade estrutural do ativo, especialmente em ambientes agressivos como nos setores de óleo e gás, petroquímico, mineração, offshore, entre outros.
Em cenários mais complexos, é comum a presença de sistemas multicamadas, como lã de vidro, lã de rocha e outros materiais fibrosos, aplicados principalmente para isolamento térmico. Esses sistemas, embora eficientes do ponto de vista térmico, impõem uma barreira significativa à inspeção, exigindo remoção completa do material isolante, seguida de posterior reinstalação.
Como alternativa em determinadas aplicações, observa-se a adoção de revestimentos epóxi, que exigem rigor técnico em sua especificação e aplicação, mas apresentam menor complexidade operacional em campo quando comparados a sistemas isolantes multicamadas, especialmente no que diz respeito à aplicação, manutenção e acesso ao ativo.
No entanto, mesmo nesse cenário, o desafio da inspeção permanece. Para a realização de ensaios convencionais, ainda é necessário remover localmente o revestimento para acesso ao material base, seguido da recomposição do sistema após a medição.
Na prática, isso significa:
- Remoção localizada do revestimento
- Limpeza e preparação da superfície
- Execução da medição
- Reaplicação do sistema de proteção
Esse processo, que deveria ser simples, se transforma em uma operação com impacto direto:
- Aumento do tempo de inspeção
- Custos adicionais com retrabalho
- Intervenção invasiva no ativo
- Possibilidade de degradação do sistema de proteção
Diante dessas limitações, a inspeção acaba sendo, muitas vezes, postergada, reduzida ou realizada de forma pontual, comprometendo a confiabilidade do monitoramento de integridade.
Nesse contexto, torna-se fundamental o uso de tecnologias que permitam a inspeção diretamente sobre o revestimento, sem necessidade de remoção e sem impacto significativo na operação.
A tecnologia EMAT (Electromagnetic Acoustic Transducer) se insere nesse cenário como uma alternativa robusta, permitindo a geração de ondas ultrassônicas diretamente no material, sem uso de acoplante e com tolerância à presença de revestimentos e condições superficiais adversas.
Desafio da inspeção em tubulações revestidas
A inspeção de tubulações revestidas apresenta desafios técnicos específicos que vão além das limitações operacionais já discutidas. No cenário avaliado, trata-se de um tubo de aço carbono com diâmetro nominal de 10 polegadas, revestido externamente com epóxi com espessura aproximada de 120 µm.
Embora o revestimento epóxi seja relativamente fino quando comparado a sistemas isolantes tradicionais, ele ainda representa uma barreira relevante para técnicas convencionais de ultrassom.
O principal desafio está no princípio físico do ensaio.
O ultrassom convencional depende de:
- acoplamento mecânico eficiente
- transmissão direta da onda do transdutor para o material
A presença do revestimento introduz uma interface adicional entre o transdutor e o material base, resultando em:
- Perda de energia na transmissão do sinal
- Redução da repetibilidade da medição
- Instabilidade no acoplamento
- Dificuldade na obtenção de ecos consistentes
Na prática, mesmo pequenas variações na superfície do revestimento, como rugosidade, irregularidades ou variações de espessura, são suficientes para comprometer a qualidade do sinal.
Além disso, o uso de acoplante sobre revestimentos pode ser inconsistente, especialmente em condições de campo, onde fatores como:
- Temperatura
- Contaminação superficial
- Presença de umidade ou resíduos afeta diretamente a eficiência do ensaio.
Como consequência, a inspeção direta sobre o revestimento utilizando ultrassom convencional torna-se pouco confiável ou inviável, forçando a necessidade de remoção do revestimento para obtenção de resultados consistentes.
Esse ponto é crítico.
Mesmo em um cenário aparentemente simples — como um revestimento epóxi de apenas 120 µm — o processo de inspeção convencional ainda exige:
- Intervenção física no revestimento
- Exposição do material base
- Retrabalho posterior
Ou seja, a limitação não está apenas na espessura do revestimento, mas no princípio de funcionamento da técnica utilizada.
Esse contexto evidencia a necessidade de métodos de inspeção que não dependam de acoplamento direto e que sejam capazes de operar com lift-off, mantendo estabilidade de sinal mesmo na presença de revestimentos.
Fundamentos da tecnologia EMAT aplicados à inspeção
Diferente do ultrassom convencional, que depende de acoplamento mecânico para transmitir energia ao material, a tecnologia EMAT (Electromagnetic Acoustic Transducer) baseia-se na interação eletromagnética com materiais condutores, permitindo a geração de ondas ultrassônicas diretamente no próprio material.
Na prática, isso elimina a necessidade de contato entre o transdutor e a superfície, bem como o uso de acoplante, já que a excitação da onda ocorre por meio da interação entre um campo magnético estático e correntes elétricas induzidas na superfície do material. Essa interação gera forças internas que provocam a vibração da estrutura cristalina, originando a propagação da onda ultrassônica.
Essa diferença de princípio é determinante no contexto de inspeções em campo. Enquanto o ultrassom convencional depende diretamente da qualidade do acoplamento, o EMAT mantém sua capacidade de operação mesmo na presença de uma separação física entre o sensor e o material, característica conhecida como lift-off.
No cenário avaliado, com um revestimento epóxi de aproximadamente 120 µm, essa característica é relevante. Essa espessura é suficiente para comprometer a eficiência do ultrassom por contato, mas não impede a geração de sinal no EMAT, desde que o material seja eletricamente condutor — como o aço carbono — e que o lift-off esteja dentro da faixa operacional do sistema.
A tecnologia também permite a utilização de diferentes modos de onda, conforme a configuração do sistema, como ondas de cisalhamento ou ondas guiadas, possibilitando adequação do ensaio ao objetivo da inspeção, seja para medições localizadas de espessura ou avaliação de regiões mais extensas.
O EMAT possui limitações que devem ser consideradas. A técnica é aplicável apenas a materiais condutores, sua resposta pode ser influenciada pelas propriedades magnéticas do material sendo aplicável a ferrosos e não ferrosos e, em geral, apresenta relação sinal/ruído inferior ao ultrassom convencional. No entanto, essas características não impedem sua aplicação em cenários onde a remoção de revestimento não é desejável.
No caso do tubo de aço carbono de 10 polegadas com revestimento epóxi, a medição pode ser realizada diretamente sobre a superfície revestida, sem remoção do material e sem preparação prévia, reduzindo etapas operacionais e mantendo a integridade do sistema de proteção.
Sistema CODA+ e seu papel na aplicação do EMAT
O desempenho do EMAT em campo não depende apenas do princípio físico de geração da onda, mas da capacidade do instrumento em controlar, estabilizar e apresentar o sinal de forma utilizável para inspeção. Nesse ponto, o CODA+ entra como a plataforma que viabiliza a aplicação prática do ensaio, reunindo potência de excitação ultrassônica, controle dos parâmetros de aquisição e leitura em tempo real.
Em aplicações com EMAT, esse papel do instrumento é ainda mais importante porque a relação sinal/ruído tende a ser mais exigente do que em inspeções por ultrassom convencional com acoplante. Por isso, o ajuste de parâmetros como frequência de excitação, ganho, janela de aquisição e resposta do pulso deixa de ser apenas uma etapa de configuração e passa a fazer parte da própria confiabilidade da medição. A proposta do sistema é justamente permitir que a energia ultrassônica seja entregue de forma compatível com sensores EMAT e que a resposta recebida possa ser interpretada com consistência em condições industriais reais.
Assim, dentro deste estudo, o CODA+ deve ser entendido como o elemento que transforma a possibilidade física do EMAT em uma inspeção executável, ajustável e repetível. O transdutor gera e recebe o fenômeno; o instrumento torna esse fenômeno mensurável, interpretável e operacionalmente aplicável. Esse é o ponto central do sistema no contexto da inspeção de espessura sobre revestimento.
Configuração do ensaio (exemplo de aplicação EMAT em tubo de aço carbono)
Para a realização do ensaio, partiu-se de uma condição já conhecida do componente: tubo de aço carbono, geometria cilíndrica e espessura nominal compatível com a faixa mostrada nas telas do ensaio. A configuração inicial do sistema foi direcionada à identificação estável do eco de fundo, com ajuste progressivo dos parâmetros de aquisição até que o sinal apresentasse definição suficiente para leitura repetível.
Nesse tipo de aplicação, a configuração não pode ser tratada como um ajuste genérico. Em EMAT, pequenas mudanças de frequência, ganho e posicionamento da janela de leitura alteram diretamente a qualidade da resposta obtida. Como o método gera a onda no próprio material e não depende de acoplante, o foco deixa de ser “garantir contato” e passa a ser “garantir resposta utilizável”. Em outras palavras, o sistema precisa ser ajustado não para vencer uma interface líquida, como no UT convencional, mas para extrair um sinal limpo o bastante dentro das condições reais da peça.
No ensaio apresentado, essa etapa foi particularmente importante porque a inspeção foi feita com o revestimento preservado, isto é, sem remoção prévia da camada superficial. Isso exige que a configuração do instrumento seja suficiente para manter a leitura estável mesmo sem acesso direto ao metal base. O que se busca aqui não é apenas “ver algum eco”, mas obter uma resposta consistente o bastante para sustentar uma medição técnica de espessura.
Execução da inspeção por EMAT
Com os parâmetros estabilizados, a inspeção foi executada diretamente sobre a superfície revestida. Não houve remoção localizada do revestimento, não houve preparação prévia da superfície e não houve uso de acoplante. Esse ponto, embora operacionalmente simples de descrever, é tecnicamente relevante, porque elimina exatamente as etapas que costumam transformar uma medição pontual em uma intervenção com retrabalho.
Durante a aquisição, o sensor foi aplicado externamente ao tubo e os sinais foram acompanhados em tempo real na tela do equipamento. O objetivo prático nessa etapa foi verificar se o eco correspondente ao fundo da parede se mantinha identificável ao longo das leituras, sem perda abrupta de definição e sem comportamento errático do sinal. O que interessa, nesse contexto, não é apenas a existência de resposta ultrassônica, mas a capacidade do sistema de sustentar uma leitura repetível em condição revestida.
As imagens do ensaio mostram justamente esse comportamento: a medição foi realizada sobre a peça revestida, com o sistema fornecendo valores numéricos de espessura e representação gráfica do sinal. Isso desloca a discussão do campo teórico para o campo prático. Ou seja, a questão deixa de ser “se o EMAT pode operar sobre revestimento” e passa a ser “como o sistema se comportou nessa condição específica”. E, nesse caso, o comportamento observado foi suficiente para permitir leitura objetiva do material sem remoção da camada de epóxi.
Resultados obtidos com o uso da aplicação por EMAT
Os valores apresentados durante o ensaio ficaram aproximadamente na faixa de 9,8 mm a 10,3 mm, conforme mostrado nas telas compartilhadas. Mais importante que o valor absoluto isolado é o fato de que as leituras permaneceram dentro de uma faixa coerente, sem comportamento incompatível com uma medição real de espessura.
A resposta visual do equipamento indica presença de eco identificável e capacidade de leitura direta na condição revestida. Isso demonstra que o revestimento epóxi, na espessura aproximada informada para este caso, não impediu a aquisição de um sinal aproveitável para medição. Esse resultado está alinhado com a descrição técnica da própria do EMAT que é adequada para componentes metálicos revestidos ou rugosos, sobretudo em aplicações de medição e avaliação de corrosão.
Outro ponto relevante é que os resultados foram obtidos sem intervenção destrutiva sobre o revestimento. Isso altera de forma concreta a relação entre inspeção e custo operacional. Em vez de interromper o processo para remover material, medir e recompor o sistema de proteção, a leitura foi obtida diretamente na condição original da peça. O valor técnico do ensaio, portanto, não está apenas na medição em si, mas no modo como essa medição foi alcançada.
Interpretação técnica dos resultados (premissa central do EMAT)
Do ponto de vista técnico, o ensaio indica que houve energia ultrassônica suficiente para geração, propagação e retorno de sinal com qualidade compatível com medição de espessura. Isso confirma, na prática, a premissa central do EMAT: a possibilidade de trabalhar sem acoplante e com tolerância à presença de uma camada não metálica entre sensor e material, desde que a condição de lift-off permaneça dentro da faixa operacional do conjunto.
Também é importante observar o que esse resultado não significa. Ele não elimina a necessidade de ajuste correto do sistema, não transforma qualquer condição revestida em aplicação trivial e não torna o EMAT automaticamente superior ao ultrassom convencional em todos os cenários. O que ele mostra é algo mais objetivo: para esta condição de tubo em aço carbono com revestimento epóxi, foi possível obter leitura de espessura sem remoção da camada superficial.
Em uma leitura de integridade, isso tem peso prático claro. Quando a inspeção deixa de exigir remoção localizada do revestimento, o custo indireto cai, o tempo de intervenção diminui e a chance de postergar medições por dificuldade operacional também tende a cair. O ganho, portanto, não está só na técnica, mas na viabilidade de executar a inspeção com menor impacto sobre o ativo.
Limitações e cuidados de aplicação (enquadramento técnico correto do EMAT)
Apesar dos resultados positivos, a aplicação do EMAT exige enquadramento técnico correto. A técnica é aplicável a materiais metálicos ferrosos e não ferrosos condutores.
Não se deve tratar o EMAT como substituto universal do ultrassom convencional. Há cenários em que o UT por contato continuará sendo mais indicado, seja pela relação sinal/ruído, pela resolução local ou pela própria natureza da inspeção. O ponto técnico mais correto é entender o EMAT como uma solução particularmente vantajosa quando a remoção do revestimento é indesejável, inviável ou economicamente desfavorável.
Em outras palavras, o valor do método depende da combinação entre aplicação correta, configuração adequada do sistema e interpretação coerente do sinal. Fora desse enquadramento, a técnica pode ser mal aplicada e gerar conclusões fracas. Dentro dele, pode resolver exatamente um problema que o ensaio convencional cria: a necessidade de remover material para conseguir medir.
Aplicações industriais da abordagem
A abordagem apresentada neste estudo é especialmente útil em ativos onde a preservação do revestimento tem impacto direto em tempo, custo e continuidade operacional. Isso inclui tubulações em setores como óleo e gás, petroquímico, mineração e offshore, onde a inspeção de espessura frequentemente precisa conviver com revestimentos protetivos, geometrias curvas e ambientes operacionais menos favoráveis.
A tecnologia EMAT é aplicável à inspeção de componentes metálicos como tubos, chapas e tanques, permitindo medições de espessura e avaliação de perda de material em condições em que o ultrassom convencional encontra limitações práticas.
Sua utilização é particularmente relevante em superfícies revestidas, rugosas ou com geometria complexa, onde o acesso direto ao material base é restrito ou inviável.
No contexto deste artigo, o ponto mais relevante é que a tecnologia se mostra aderente a inspeções onde o obstáculo principal não é “enxergar o metal”, mas conseguir fazer isso sem desmontar o sistema de proteção existente. É nesse espaço que o ensaio apresentado ganha valor.
Conclusão
O ensaio demonstrou que foi possível realizar medição de espessura em um tubo de aço carbono revestido com epóxi sem remoção da camada superficial, mantendo a peça em sua condição original de inspeção.
Tecnicamente, o resultado confirma a aplicabilidade do EMAT para medições em superfícies revestidas quando o material, a condição do revestimento e a configuração do sistema são compatíveis com o ensaio. Operacionalmente, o ganho é claro: elimina-se a etapa de remoção localizada do revestimento, evita-se recomposição posterior e reduz-se o retrabalho associado à medição convencional.
Dentro desse contexto, o CODA+ cumpre o papel de viabilizar a aquisição e interpretação do sinal em campo, enquanto o EMAT resolve o ponto central do problema: medir sem exigir contato direto com o metal exposto. O resultado final é uma inspeção tecnicamente executável, operacionalmente menos invasiva e mais aderente à realidade de ativos revestidos.
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